O Grammy, finalmente, voltou a ser interessante

Premiação aconteceu no domingo (2), e trouxe de volta a esperança aos fãs do mundo pop

O Grammy Awards está longe de ser uma premiação justa, se levarmos em conta todas as questões que englobam as escolhas da Academia. Há muito tempo eu não parava para assistir uma cerimônia porque simplesmente não me prendia mais. E olha que eu fui a adolescente que fazia bolão para ver quem levava os prêmios e esperava o mês inteiro para chegar o dia de assistir! E nesse ano, eu recuperei isso.

As indicações já me deixaram bastante animada, principalmente porque 2024 foi um ano muito bom na música. Surgiram vários artistas interessantes e diferentes de tudo que estávamos acostumados, afinal, a música pop tinha virado uma coisa só. Então para deixar essa minha animação registrada, vou citar as performances que mais me animaram:

Chappell Roan

A norte-americana Kayleigh Rose, conhecida como Chappell Roan, deu um show mostrando que o pop ainda pode ser interessante e divertido. Para quem viveu a época de ouro de Katy Perry, onde o lúdico entrava como parte do show, com certeza vai se animar com essa performance. É diferente do que vimos no pop nos últimos anos, e mesmo sem conhecer nada sobre a Chappell e não acompanhar a carreira, eu gostei do que ela ofereceu na premiação. E a performance explica a razão dela ter levado o prêmio de Revelação do Ano.

Sabrina Carpenter

Vencedora dos prêmios de Melhor Performance Pop Solo, com Espresso, e Melhor Álbum Pop Vocal, Sabrina arrasou na apresentação. Eu gosto MUITO de ‘Espresso’, música que a fez estourar em 2024, sendo algo bem verão americano e com um clipe esteticamente lindo. Ela escolheu apresentar uma nova versão da faixa, adotando uma sonoridade do jazz, coisa que surpreendeu e saiu de uma possível ‘mesmice’. Sabrina tem carisma e sabe como aliar isso às performances.

Cynthia Erivo

Agora entramos na elite. A atriz e cantora britânica fez uma performance de ‘Fly Me To The Moon’, para homenagear Quincy Jones. Foi clássico, chique, simples, e mostrou que Cynthia tem uma daz vozes mais poderosas dessa geração (vi até umas pessoas dizendo que está no mesmo nível de Whitney Huston).

Doechii

Se estou aqui falando que o Grammy voltou a ser interessante, Doechii tem 90% de culpa nisso. A norte-americana teve um 2024 de muitas surpresas boas, em que ela mostrou que, mais do que ninguém, queria e merecia levar todos os prêmios para os quais foi indicada. Ela serve algo que não víamos há muito tempo. Uma artista que passeia por várias possibilidades sonoras e estéticas, que traz a real essência do RAP e diz com todas as letras que tem sede de fazer seu sucesso acontecer. Talvez isso que estivesse faltando na música pop e em premiações: alguém que assume que não vai medir esforços para mostrar a que veio. É válido comparar o trabalho dela com o de Lauryn Hill como muitos fazem, mas a real é que Doechii é incomparável. Ela está criando algo novo e determinando uma nova era da música, em que, sobretudo, mulheres negras dominam a cena. É um prazer testemunhar o nascimento de uma GRANDE estrela. Doechii levou o prêmio de Melhor Álbum de Rap, Artista revelação e Melhor Performance de Rap. Lembrando que ela foi a terceira mulher a levar Melhor Álbum de Rap no Grammy; a primeira foi Lauryn Hill, e a segunda Cardi B.