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Estou obcecada pelo álbum 'Cartão Postal', da Evinha
Além de ser ótimo, o álbum do BK também nos apresentou essa lenda da MPB
Eu não gosto de dizer que tenho um estilo de música preferido. Sou eclética de verdade. Pop? Amo. R&B? Tô dentro. K-pop? Gosto. Rap? Sou fã. E por aí vai. Mas se me perguntassem qual o som que me faz viajar e transcender, a resposta seria um tipo musical muito específico, que talvez eu não saiba explicar em palavras.
É aquele que você ouve e imediatamente sente saudade de algo, que talvez nem seja concreto, mas o sentimento está ali. O sentimento de correr em um jardim cheio de flores, sem preocupação, e aquela canção específica como trilha sonora. Como se ela carregasse memórias de vidas que talvez nem sejam minhas, mas que, de alguma forma, eu as sinto.
E é aí que entra o álbum ‘Cartão Postal’, da Evinha, que conheci recentemente pelo álbum do rapper BK. Em duas das músicas que compõem a obra - ‘Só Quero Ver’ e ‘Cacos de Vidro’ -, temos a voz dessa artista com samples de gravações dela de 1971.
Quem é Evinha?
Evinha é o nome artístico de Eva Correia José Maria, uma cantora brasileira nascida em 1951. Ela começou sua carreira nos anos 1960 como integrante do Trio Esperança, grupo vocal formado com seus irmãos. Nos anos 70, Evinha seguiu carreira solo, consolidando-se como uma das vozes marcantes da MPB romântica da época. Mais tarde, ela se mudou para a França, onde continuou sua carreira musical ao lado de seu marido, Gérard Gambus.

O meu álbum do momento
O álbum que estou obcecada após conhecê-la, chamado Cartão Postal, traz o puro balanço do swing brasileiro. É romântica, melancólica e autêntica, ao mesmo tempo. A voz dela é diferente de tudo que já ouvi, com um toque agudo e arrastado, quase como algo teatral. Eu, particularmente, adoro cantoras que exploram as extensões agudas na voz.
Apesar das músicas serem vibrantes, também trazem um lado misterioso, estável e complexo. Não são letras simples, muito menos instrumentais e melodias básicas. É um completo show, um concerto, uma cena. É a mesma sensação de assistir a uma novela antiga e torcer por aquele casal secundário cheio de carisma. Ou de estar na casa da avó em um domingo à tarde com o rádio ligado e um bolo sendo assado.
Temos a sofrência por amor bem típica de rádio dos anos 70, em ‘De Tanto Amor’ e ‘Encontro’, mas temos também uma modernidade com ‘Esperar Pra Ver’ e ‘Só Quero Ver’. Modernidade essa, que fez com que Evinha entrasse na boca do povo, principalmente da juventude a qual eu me incluo.
E qual a melhor ponte para nos conectar com cantoras incríveis como ela, se não o rap?